2014年3月6日

Cansaço.



Estou cansado.
Não por um ou dois motivos, não por certa razão ou circunstância determinada. Não tenho motivos reais ou justificáveis para estar tão cansado, mas estou.
Sei de muitas coisas – e tudo o que sei não equivale a nem um milésimo do que eu deveria, ou poderia, saber –, no entanto, dentre as coisas que sei, entendo perfeitamente que poderia ser infinitamente pior, a vida. Eu entendo a seriedade destas palavras. Jamais vi de perto a fome, a miséria, a doença. E, mesmo sem ter uma verdadeira experiência com tais coisas, eu sei quão terríveis e devastadoras elas podem ser.
E nunca me importei, de fato, com os problemas do mundo.
Sempre fui uma pessoa comum de classe média, com luxos comuns, como um lugar onde viver comum, uma cama comum onde dormir, três refeições comuns ao dia para fazer. Sempre pude estudar, sempre recebi de bom grado pequenos benefícios como roupas limpas ou doces de vez em quando. Posso trabalhar e o faço, sempre reclamando do quanto recebo, mas sempre satisfazendo-me minimamente com livros e outros tipos de lazer, como cinema e lanches com colegas.
Nada está errado em minha vida.
Eu tenho tudo que um ser humano precisa.
Eu posso andar, posso ver, posso ler, posso escrever.

Continuo insatisfeito.

Não que sinta que nada é bom o suficiente, às vezes as coisas são realmente suficientemente boas. Às vezes não são.
Mas o problema não é este, não é uma questão de bem e mal. Nunca foi uma questão de certo ou errado. Nem de sabedoria ou ignorância. E repito, não há um motivo claro e lógico para todo esse cansaço.
Eu não dou valor às coisas, percebi que tenho algumas pequenas compulsões e alguns pequenos impulsos e vícios. Mas não consigo dar valor às coisas, não consigo me importar o suficiente para afirmar que realmente me importo. E é triste quando tudo que um dia teve valor para você perde a importância e o significado.
É triste quando você percebe-se vazio em todos os sentidos.
Porque simplesmente não existe algo que realmente faça sentido. Viver parece-me sob todas as circunstâncias uma busca contínua pela morte, todo o resto parece-me muito vão e bastante vago. Grandes realizações perdem-se no tempo, por mais que alguns insistam em recordações e trabalhos sobre as histórias. O reconhecimento de outros nunca é válido, porque quando o objetivo é alcançado, nada muda, nada satisfaz. Tudo o que você faz pode ter um objetivo, momentaneamente, e depois tornar-se-á sem sentido e insignificante.
Não existe uma única coisa no mundo que valha a pena. Nem riqueza. Nem sucesso. Nem amor.
Felicidade é um conceito inventado provavelmente por algum idiota. Inventado porque nunca existiu felicidade.
Não importam os planos, nem as tentativas feitas. Você morrerá e será, de uma forma ou de outra, demorando mais ou menos tempo, esquecido. Todos são esquecidos. Assim como cinzas ao vento e cadáveres sob a terra. Nada tem significado pleno.

Sei que soo ingrato, sei que soo egoísta, sei que soo infeliz.
Mas não sou mentiroso, estou de fato cansado, e todas as coisas que digo são sinceras. Eu realmente não vejo sentido, e por mais que haja paixão e entusiasmo no meu ser por determinados objetos, eu sei que é momentâneo. E eu sei que de uma forma ou de outra, acabarei infeliz e sozinho, porque é o que pessoas amarguradas como eu merecem.
Não me importo, houve um dia que me importei. Não me lembro como era.

Estou cansado.