Estou cansado.
Não por um ou dois motivos, não por certa razão ou circunstância
determinada. Não tenho motivos reais ou justificáveis para estar tão cansado,
mas estou.
Sei de muitas coisas – e tudo o que sei não equivale a nem um
milésimo do que eu deveria, ou poderia, saber –, no entanto, dentre as coisas
que sei, entendo perfeitamente que poderia ser infinitamente pior, a vida. Eu
entendo a seriedade destas palavras. Jamais vi de perto a fome, a miséria, a
doença. E, mesmo sem ter uma verdadeira experiência com tais coisas, eu sei quão
terríveis e devastadoras elas podem ser.
E nunca me importei, de fato, com os problemas do mundo.
Sempre fui uma pessoa comum de classe média, com luxos comuns,
como um lugar onde viver comum, uma cama comum onde dormir, três refeições comuns
ao dia para fazer. Sempre pude estudar, sempre recebi de bom grado pequenos
benefícios como roupas limpas ou doces de vez em quando. Posso trabalhar e o
faço, sempre reclamando do quanto recebo, mas sempre satisfazendo-me
minimamente com livros e outros tipos de lazer, como cinema e lanches com
colegas.
Nada está errado em minha vida.
Eu tenho tudo que um ser humano precisa.
Eu posso andar, posso ver, posso ler, posso escrever.
Continuo insatisfeito.
Não que sinta que nada é bom o suficiente, às vezes as coisas
são realmente suficientemente boas. Às vezes não são.
Mas o problema não é este, não é uma questão de bem e mal. Nunca
foi uma questão de certo ou errado. Nem de sabedoria ou ignorância. E repito,
não há um motivo claro e lógico para todo esse cansaço.
Eu não dou valor às coisas, percebi que tenho algumas pequenas
compulsões e alguns pequenos impulsos e vícios. Mas não consigo dar valor às
coisas, não consigo me importar o suficiente para afirmar que realmente me
importo. E é triste quando tudo que um dia teve valor para você perde a
importância e o significado.
É triste quando você percebe-se vazio em todos os sentidos.
Porque simplesmente não existe algo que realmente faça sentido. Viver
parece-me sob todas as circunstâncias uma busca contínua pela morte, todo o
resto parece-me muito vão e bastante vago. Grandes realizações perdem-se no
tempo, por mais que alguns insistam em recordações e trabalhos sobre as
histórias. O reconhecimento de outros nunca é válido, porque quando o objetivo
é alcançado, nada muda, nada satisfaz. Tudo o que você faz pode ter um
objetivo, momentaneamente, e depois tornar-se-á sem sentido e insignificante.
Não existe uma única coisa no mundo que valha a pena. Nem riqueza.
Nem sucesso. Nem amor.
Felicidade é um conceito inventado provavelmente por algum
idiota. Inventado porque nunca existiu felicidade.
Não importam os planos, nem as tentativas feitas. Você morrerá e
será, de uma forma ou de outra, demorando mais ou menos tempo, esquecido. Todos
são esquecidos. Assim como cinzas ao vento e cadáveres sob a terra. Nada tem
significado pleno.
Sei que soo ingrato, sei que soo egoísta, sei que soo infeliz.
Mas não sou mentiroso, estou de fato cansado, e todas as coisas
que digo são sinceras. Eu realmente não vejo sentido, e por mais que haja
paixão e entusiasmo no meu ser por determinados objetos, eu sei que é momentâneo.
E eu sei que de uma forma ou de outra, acabarei infeliz e sozinho, porque é o
que pessoas amarguradas como eu merecem.
Não me importo, houve um dia que me importei. Não me lembro como
era.
Estou cansado.
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